03/05/2010
Rogério Verzignasse
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
O Colégio Politécnico Bento Quirino, que completa neste ano um século de história, lançou ontem a pedra fundamental do que promete ser um imponente complexo educacional na gleba anexa à antiga Estação Guanabara. Os 103 mil metros quadrados de terreno vão receber intervenções orçadas em R$ 40 milhões. A previsão é de que, em 2012, o espaço conte com salas de aula e laboratórios equipados que vão contemplar do Ensino Infantil ao Superior.
Desde 2006, o Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa (Ipep), mantenedor do colégio, é dono da gleba, arrematado em uma concorrência pública aberta pela Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS), empresa vinculada ao governo estadual, e responsável pelo desenvolvimento de projetos, avaliação e regularização de imóveis, e pelo processo de licitações.
Quando o Ipep comprou o terreno por R$ 6 milhões, os vizinhos comemoraram: por muito tempo, os barracões da extinta Companhia Mogiana de Estradas de Ferro se limitaram a servir de esconderijo para consumidores de drogas e moradia para mendigos. A inauguração de um centro educacional garantiria a revitalização de um patrimônio de localização nobre, mas degradado pela ocupação indevida.
Mas o tradicional Poli-Bentinho, que já oferece 22 cursos técnicos (frequentados por 3 mil alunos), aposta em uma estratégia especial para o novo campus: formação técnica para jovens dispostos a trabalhar nas companhias que fazem a extração e o processamento do petróleo. O pré-sal, prenúncio de reservas gigantescas do óleo natural, deve gerar 900 mil empregos em uma década. De acordo com o mantenedor Érico Rodrigues Bacelar, o mercado vai exigir mão de obra capacitada.
De olho nas possibilidades do segmento, a escola já tem, por exemplo, uma turma do curso técnico de polímeros, resinas termoplásticas presentes no cotidiano do planeta (como PVC, policarbonato, PET e polipropileno). Mas o campus Guanabara também vai concentrar a capacitação técnica de setores de suporte (como administração, segurança no trabalho, automação industrial e comunicações).
Os cursos superiores de tecnologia no setor serão ministrados por professores do Ipep, que desde 1992 formam turmas campineiras em dois campi do Poli-Bentinho (nas ruas José de Alencar e Luzitana). São 2 mil alunos matriculados. Mas os planos para o futuro são ambiciosos. Juntos, o Poli-Bentinho e Ipep terão estrutura para receber 15 mil estudantes em cinco anos, período estimado para a execução do projeto arquitetônico.
Mas o cronograma não depende apenas dos investimentos prometidos pelo grupo. O projeto precisa ser avaliado (e adaptado), segundo as determinações da Prefeitura. Um campus exige, por exemplo, a reorganização completa do sistema no entorno.